{"id":1153,"date":"2022-03-02T11:38:02","date_gmt":"2022-03-02T14:38:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1153"},"modified":"2022-03-04T11:31:02","modified_gmt":"2022-03-04T14:31:02","slug":"o-que-devemos-esperar-do-metaverso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1153","title":{"rendered":"O QUE DEVEMOS ESPERAR DO METAVERSO?"},"content":{"rendered":"\n<p>A partir do an\u00fancio de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, que confirmou a mudan\u00e7a da logo de sua empresa para Meta, o tema sobre metaverso bombou na internet. Para aqueles que n\u00e3o est\u00e3o familiarizados com o termo, embora ele tenha sido empregado pela primeira vez no romance p\u00f3s-moderno denominado <em>Snow Cras <\/em>(1992), de Neal Stephenson, a ideia por tr\u00e1s dele fora j\u00e1 descrito tamb\u00e9m pelo livro <em>Neuromancer<\/em> (1984), de William Gibson (SCHELMMER et al., 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia do metaverso \u00e9 descrito como sendo um ambiente virtual em formato tridimensional no qual \u00e9 simulado o mundo real em que vivemos. Esse universo seria viabilizado pela exist\u00eancia da internet e das tecnologias de realidade virtual, o qual vai aprimorar a conex\u00e3o das pessoas de qualquer lugar que elas estejam no mundo f\u00edsico. Embora a proposta dessa tecnologia seja excitante, para que n\u00e3o sejamos cegos aos impactos que podem ser causados na humanidade, h\u00e1 de considerar-se como a tecnologia atual j\u00e1 est\u00e1 nos impactando. Afinal, devemos temer ou acatar o metaverso?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><\/strong>Ao pensar sobre o metaverso e sobre a conectividade que esse tipo de ambiente vai-nos proporcionar, logo pensamos no que j\u00e1 nos mant\u00eam conectados atualmente. As redes sociais s\u00e3o um exemplo para essa quest\u00e3o e, com elas, \u00e9 poss\u00edvel trazer algumas reflex\u00f5es sobre a repercuss\u00e3o que essas ferramentas trazem em nossas vidas e pensar o que seria dela em um ambiente como o metaverso. Os aplicativos como Facebook, Instagram, Tik Tok e Whatsapp facilitam a comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas, o acesso ao entretenimento, a procura de empregos, a organiza\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de ideias e servi\u00e7os, etc. No entanto, voc\u00ea j\u00e1 se perguntou \u201co porqu\u00ea desses aplicativos serem gratuitos?\u201d. Essa quest\u00e3o foi exposta pelo professor ingl\u00eas Andrew Lewis, o qual teve oportunidade de tecer suas cr\u00edticas a essas tecnologias no document\u00e1rio \u201cO dilema das redes\u201d, produzido pela Netflix em 2020. O professor comenta que n\u00f3s pagamos para usar esses aplicativos com as nossas informa\u00e7\u00f5es: padr\u00e3o de consumo, horas <em>online<\/em>, h\u00e1bito de <em>like<\/em>, localiza\u00e7\u00e3o, tempo de rea\u00e7\u00e3o com notifica\u00e7\u00f5es, etc. Com esses tipos de informa\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel criar um perfil consumidor preciso do usu\u00e1rio, os quais s\u00e3o vendidos para as empresas que contratam as redes sociais para divulgarem seus produtos em forma de an\u00fancios. Esse tipo de conduta acontece atualmente nas redes sociais e achamos razo\u00e1vel afirmar que estender essa ideia a um mundo como o metaverso, \u00e9 poss\u00edvel. Em uma realidade virtual tridimensional em que isso tamb\u00e9m ocorra, \u00e9 poss\u00edvel perdermos de forma significativa a nossa privacidade, na medida em que outros tipos de informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o detectados a partir das nossas a\u00e7\u00f5es no metaverso. Nesse sentido, esses mecanismos de venda para as empresas interessadas nesses dados v\u00e3o aprimorar significativamente os nossos perfis consumidores, tornando a venda deles ainda mais lucrativa. Todavia, \u00e9 claro que o problema n\u00e3o para nisso, isto \u00e9, com o atendimento personalizado de acordo com o que tendemos a comprar, mas abrange-se tamb\u00e9m a outras esferas sociais. Como exemplo, vejamos o caso da Cambridge Analytica que, segundo Martins e Tateoki (2019), usufruiu de dados pessoais de mais de 50 milh\u00f5es de perfis do Facebook e utilizou-os para influenciar a elei\u00e7\u00e3o presidencial estadunidense de 2016, o que favoreceu a campanha e viabilizou a vit\u00f3ria do candidato Donald Trump. \u00c0 vista disso, a nossa sociedade est\u00e1 realmente preparada para um avan\u00e7o tecnol\u00f3gico em que tende a potencializar esses tipos de manipula\u00e7\u00e3o? A inten\u00e7\u00e3o dos desenvolvedores \u00e9 divulgada enaltecendo os diversos benef\u00edcios do metaverso, mas h\u00e1 sempre casos como os citados neste texto que nos fazem refletir sobre a realidade, bem como faz o professor Lewis no document\u00e1rio quando afirma que \u201cse voc\u00ea n\u00e3o paga pelo produto, \u00e9 sinal de que o produto \u00e9 voc\u00ea\u201d, o qual \u00e9 vendido como um potencial consumidor de mercadorias ou como um potencial eleitor de um pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, essa ideia \u00e9 excitante, a de uma amplifica\u00e7\u00e3o de uma das principais ferramentas cotidianas da popula\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI &#8211; as redes sociais &#8211; e que, al\u00e9m de ter dado as caras pela primeira vez em romances de fic\u00e7\u00e3o da segunda metade do s\u00e9c. XX, ela faz tamb\u00e9m sua apari\u00e7\u00e3o em <em>Jogador N\u00b0 1 <\/em>(2011), de Ernest Cline. No livro, o ambiente de realidade virtual chama-se OASIS e \u00e9 onde a popula\u00e7\u00e3o passa grande parte do seu tempo, seja para estudar, trabalhar, jogar ou simplesmente interagir entre si e, assim como o Metaverso, \u00e9 uma ferramenta que permite uma conex\u00e3o instant\u00e2nea entre pessoas de qualquer lugar no mundo, num ambiente virtual tridimensional. Nessa linha, as redes sociais, divididas em diversos aplicativos e sites, fazem esse papel, ao passo que seus algoritmos coletam as informa\u00e7\u00f5es e prefer\u00eancias do usu\u00e1rio e facilitam a comunica\u00e7\u00e3o entre pessoas de perfis similares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o Metaverso n\u00e3o deve ser imediatamente acatado, por mais atraente que seja a ideia, pois uma amplifica\u00e7\u00e3o no que comp\u00f5e o estilo de vida da popula\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o precisa ser de todo temida. Tem que pensar que o Metaverso \u00e9 algo em constru\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o est\u00e1 finalizado ainda e, a cada dia que passa, nos aproximamos mais e mais da vers\u00e3o final. Portanto, o projeto de Zuckerberg pode ser tratado como um o\u00e1sis: um ponto chave de com\u00e9rcio e de grupos de pessoas, mas que pode se mostrar uma mera miragem, j\u00e1 que, como foi exposto, muitos problemas, tanto virtualmente quanto em nossa realidade, podem acabar surgindo desse novo espa\u00e7o cibern\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>SCHELMMER, Eliane; BACKES, Luciana. METAVERSOS: novos espa\u00e7os para constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. <strong>Revista Di\u00e1logo Educacional<\/strong>, Paran\u00e1, v. 8, n. 24, p. 519-532, maio\/ago. 2008. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/1891\/189116834014.pdf\">https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/1891\/189116834014.pdf<\/a>. Acesso em: 05 fev. 2022.MARTINS, Marcelo Guerra; TATEOKI, Victor Augusto. Prote\u00e7\u00e3o de dados virtuais e democracia: <em>fake news<\/em>, manipula\u00e7\u00e3o do eleitor e o caso da Cambridge Analytica. <strong>Revista Eletr\u00f4nica Direito e Sociedade<\/strong>, Canoas, v. 7, n. 3, p. 135-148, out. 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.unilasalle.edu.br\/index.php\/redes\/article\/view\/5610\">https:\/\/revistas.unilasalle.edu.br\/index.php\/redes\/article\/view\/5610<\/a>. Acesso em: 18 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Ass: PEDRO, MATEUS, EDUARDO, GUILHERME<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir do an\u00fancio de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, que confirmou a mudan\u00e7a da logo de sua empresa para Meta, o tema sobre metaverso bombou na internet. 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