{"id":1360,"date":"2023-12-28T17:40:22","date_gmt":"2023-12-28T20:40:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1360"},"modified":"2023-12-28T17:42:30","modified_gmt":"2023-12-28T20:42:30","slug":"por-que-a-fisica-e-dificil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1360","title":{"rendered":"Por que a f\u00edsica \u00e9 dif\u00edcil?"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 bastante comum ouvir dizer que \u201ca f\u00edsica \u00e9 dif\u00edcil\u201d e assumir isso como um fato. Quando ouvimos e dizemos essa frase, estamos nos referindo n\u00e3o \u00e0 f\u00edsica em si, mas ao pensar fisicamente e ao estudo de f\u00edsica. Refletir sobre essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para entender o porqu\u00ea dela ser t\u00e3o disseminada, e concluir se ela \u00e9 verdadeira, falsa, ou carregada de concep\u00e7\u00f5es e preconceitos nas entrelinhas. Dito isso, vamos entender os principais argumentos usados para justificar a f\u00edsica ser dif\u00edcil. Para tanto, baseamo-nos no cap\u00edtulo 1 do livro TAL, cujo autor discutiu sobre esses argumentos a fim de desmistificar as diversas dimens\u00f5es que a frase &#8220;a f\u00edsica \u00e9 dif\u00edcil&#8221; tem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro argumento apresentado pelo autor em seu livro \u00e9 a de que&nbsp; a dificuldade na aprendizagem em f\u00edsica encontra-se na aplica\u00e7\u00e3o dos conhecimentos f\u00edsicos \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de problemas pr\u00e1ticos. Afinal, quais seriam os problemas pr\u00e1ticos da f\u00edsica sen\u00e3o os pr\u00f3prios exemplos citados nos livros? As exemplifica\u00e7\u00f5es desses exemplos n\u00e3o se aproximam a uma realidade pr\u00e1tica coerente no dia a dia, trazendo dessa forma, uma dificuldade de assimila\u00e7\u00e3o pelo aluno no que pauta o conhecimento te\u00f3rico. Isso implicaria dizer que os exemplos est\u00e3o desatualizados ou tendo pouco efeito no sentido de idealizar os modelos traduzidos ou desenhados das quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta \u00e9, qual o melhor exemplo que traz aproxima\u00e7\u00f5es simples de situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas voltadas ao ensino de f\u00edsica? Como conectar o conhecimento f\u00edsico em situa\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis de visualiza\u00e7\u00e3o? Precisamos avan\u00e7ar muito no esquema did\u00e1tico para responder a essas perguntas de forma mais assertiva e depois mensurar os resultados. No entanto, \u00e9 evidente que exista uma necessidade das aulas de \u201claborat\u00f3rio\u201d de f\u00edsica ou incentivo \u00e0s aulas experimentais nas escolas, pois, dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel aproximar melhor o conhecimento te\u00f3rico com o pr\u00e1tico. Al\u00e9m disso, desenvolve habilidades motoras, criativas e de racioc\u00ednio no aluno.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 que existe um desafio de adequar ou abstrair problemas pr\u00e1ticos no ensino de f\u00edsica em detrimento do exerc\u00edcio emp\u00edrico de fundamentos te\u00f3ricos, as aulas experimentais t\u00eam por objetivo possibilitar ao aluno a intercomunica\u00e7\u00e3o da realidade laboratorial junto ao conhecimento te\u00f3rico. Esse \u00e9 um jeito \u00fatil de desenvolver o aprendizado e ao mesmo tempo desmistificar que o ensino de f\u00edsica \u00e9 algo dif\u00edcil ou muito abstrato<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem diga tamb\u00e9m que \u00e9 poss\u00edvel se aprofundar nos conhecimentos descritivo e pr\u00e1tico dos fen\u00f4menos f\u00edsicos atrav\u00e9s da metodologia de ensino de f\u00edsica&nbsp; experimental. Esse argumento \u00e9 normalmente apresentado em situa\u00e7\u00f5es em que o aluno \u00e9 posto em um laborat\u00f3rio para aprender procedimentos experimentais, aplicando conhecimento te\u00f3rico, seguindo sempre um roteiro de experimento. No entanto, essa abordagem para o aprendizado em f\u00edsica \u00e9 extremamente mec\u00e2nica do ponto de vista do aluno, pois desestimula totalmente o senso de investiga\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, uma vez que ele apenas precisa replicar o que foi previsto e detalhadamente estipulado pelo professor ao aluno.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Al\u00e9m do dilema entre pr\u00e1tica e teoria, tamb\u00e9m se evidencia no ensino de f\u00edsica o dilema entre ensinar para a cria\u00e7\u00e3o de uma f\u00edsica nova e ensinar o que as pessoas desenvolveram em f\u00edsica no passado. Geralmente se resumir ao primeiro ponto resulta em um tratamento bastante comum nas aulas de f\u00edsica: as descobertas f\u00edsicas do passado (d\u00e9cadas ou s\u00e9culos atr\u00e1s) s\u00e3o expostas enfatizando as suas imprecis\u00f5es e os acasos. Essa abordagem \u00e9 uma forma de diminuir o desenvolvimento da f\u00edsica como ci\u00eancia e colocar a f\u00edsica que conhecemos hoje em um patamar elevado em que tudo \u00e9 certeiro e absoluto. Esse patamar distancia a f\u00edsica do aluno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 bastante comum ouvir dizer que \u201ca f\u00edsica \u00e9 dif\u00edcil\u201d e assumir isso como um fato. Quando ouvimos e dizemos essa frase, estamos nos referindo n\u00e3o \u00e0 f\u00edsica em si, mas ao pensar fisicamente e ao estudo de f\u00edsica. 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