{"id":1362,"date":"2023-12-28T18:07:52","date_gmt":"2023-12-28T21:07:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1362"},"modified":"2023-12-28T18:07:53","modified_gmt":"2023-12-28T21:07:53","slug":"avanco-tecnologico-em-detrimento-ao-lixo-espacial-vale-a-pena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1362","title":{"rendered":"Avan\u00e7o tecnol\u00f3gico em detrimento ao lixo espacial: vale a pena?"},"content":{"rendered":"\n<p>A comercializa\u00e7\u00e3o do c\u00e9u tem se tornado cada vez mais frequente por parte de alguns bilion\u00e1rios, como Elon Musk e Jeff Bezos. Com isso, uma s\u00e9rie de sat\u00e9lites ser\u00e3o lan\u00e7ados aos c\u00e9us, sendo pelo menos 12 mil pelo projeto Starlink, da empresa SpaceX de Elon Musk, e pelo menos 3 mil de Jeff Bezos.<\/p>\n\n\n\n<p>Popular a \u00f3rbita baixa com sat\u00e9lites \u00e9 bastante problem\u00e1tico para a astronomia: atualmente, existem aproximadamente 540 sat\u00e9lites do projeto Starlink (cerca de apenas 4,5% do projeto inicial), o que j\u00e1 resulta em problemas para os astrofot\u00f3grafos. Ainda que, hoje em dia, existam diversos tipos de sat\u00e9lites em \u00f3rbita baixa, como os utilizados para GPS, esses atuam com poucas unidades, por volta de cem por constela\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites. Al\u00e9m disso, a Uni\u00e3o Astron\u00f4mica Internacional refor\u00e7a que quando os projetos estiverem conclu\u00eddos, o brilho das constela\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites ser\u00e1 t\u00e3o intenso que poder\u00e1 saturar os detectores de grandes telesc\u00f3pios. Ademais, o problema de visualiza\u00e7\u00e3o do c\u00e9u n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que existe: os sat\u00e9lites enviados emitem e recebem informa\u00e7\u00e3o por ondas de r\u00e1dio, tornando mais dif\u00edcil \u201couvir o c\u00e9u\u201d por meio dos radiotelesc\u00f3pios. Isso ocorre porque os radiotelesc\u00f3pios s\u00e3o projetados para receberem baixas frequ\u00eancias naturais. Essa interfer\u00eancia de sat\u00e9lites frustra a identifica\u00e7\u00e3o de alguns sinais c\u00f3smicos, tais como, aqueles vindos de gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que existam problemas claros sobre o preenchimento dos c\u00e9us, o projeto de Elon Musk almeja um n\u00famero de sat\u00e9lites pr\u00f3ximo a 42 mil, intensificando todas as problem\u00e1ticas j\u00e1 tratadas. Temos, hoje em dia, cerca de 2 mil sat\u00e9lites orbitando nosso planeta, quantidade 12 vezes menor que o ponto final do projeto Starlink. Caso o projeto seja conclu\u00eddo, as hip\u00f3teses de colis\u00e3o s\u00e3o enormes, tornando algumas \u00e1reas de nossa atmosfera inutiliz\u00e1veis, como \u00e9 apresentado no filme \u201cGravity\u201d, de Afonso Cuar\u00f3n. Esse filme mostra a \u201cS\u00edndrome de Kessler\u201d, teoria desenvolvida na d\u00e9cada de 1970 pelo consultor da NASA Donald J. Kessler, em que sup\u00f5e que o volume de detritos espaciais na \u00f3rbita baixa da Terra seria t\u00e3o alto que objetos como sat\u00e9lites come\u00e7ariam a se chocar com o lixo espacial. Isso produziria um \u201cefeito domin\u00f3\u201d \u2014 gerando ainda mais lixo. A SpaceX (empresa de Elon Musk) disse que est\u00e1 estudando formas para isso n\u00e3o ocorrer: seus sat\u00e9lites s\u00e3o equipados por um sistema de evas\u00e3o para evitar colis\u00f5es com outros sat\u00e9lites. Entretanto, segundo a Ag\u00eancia Espacial Europ\u00e9ia (ESA), esse sistema falhou em 2019, quando um de seus sat\u00e9lites quase colidiu com outro da SpaceX: no evento, o sat\u00e9lite da SpaceX n\u00e3o realizou a manobra de evas\u00e3o, for\u00e7ando o sat\u00e9lite europeu a realiz\u00e1-la pela primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea deve estar se questionando: como ningu\u00e9m faz nada contra ou pune essas empresas? A resposta \u00e9 bem simples: como ainda n\u00e3o existem leis que regulamentam tais a\u00e7\u00f5es, \u00e9 dif\u00edcil para que \u00f3rg\u00e3os governamentais e institui\u00e7\u00f5es de astronomia pro\u00edbam esses atos, fazendo com que as empresas coloquem ainda mais sat\u00e9lites ao redor do globo, deixando rastros luminosos que formam a \u201cA Pris\u00e3o da Tecnologia\u201d, foto vencedora do pr\u00eamio \u201cInsight Investment Astronomy Photographer of the Year\u201d de 2020, tirada pelo astrofot\u00f3grafo Rafael Schmall.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/YUHoXTEX7JBCW85Ggojwlg08qDTiCY-_yeb0J6IPsp4435AXDVkQ72KSzousKZGgQGo27UqanqQDuGjixWaj7Ytm1ipsDQupfB53Y-j9Edlyt5ygtvTRb4RGfDoT932VyDcEAzxkuKs\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Foto \u201cA Pris\u00e3o da Tecnologia\u201d, vencedora do pr\u00eamio de Fotografia Astron\u00f4mica de 2020; a estrela bin\u00e1ria Albireo, na constela\u00e7\u00e3o de Cisne, atr\u00e1s das \u201cgrades\u201d de diversos rastros dos sat\u00e9lites da Starlink (Cr\u00e9dito: Rafael Schmall).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, enquanto n\u00e3o existir algum regulamento que impe\u00e7a as empresas, ainda veremos esses sat\u00e9lites fazendo coreografias no c\u00e9u. N\u00e3o se assuste! N\u00e3o s\u00e3o \u00d3vnis que vieram colonizar nosso planeta, s\u00e3o \u201capenas\u201d parte do projeto de comercializa\u00e7\u00e3o dos c\u00e9us.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comercializa\u00e7\u00e3o do c\u00e9u tem se tornado cada vez mais frequente por parte de alguns bilion\u00e1rios, como Elon Musk e Jeff Bezos. Com isso, uma s\u00e9rie de sat\u00e9lites ser\u00e3o lan\u00e7ados aos c\u00e9us, sendo pelo menos 12 mil pelo projeto Starlink, da empresa SpaceX de Elon Musk, e pelo menos 3 mil de Jeff Bezos. 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