{"id":1657,"date":"2024-11-07T18:35:54","date_gmt":"2024-11-07T21:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1657"},"modified":"2024-11-07T18:39:32","modified_gmt":"2024-11-07T21:39:32","slug":"a-importancia-da-neurociencia-na-formacao-de-educadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=1657","title":{"rendered":"A Import\u00e2ncia da Neuroci\u00eancia na Forma\u00e7\u00e3o de Educadores"},"content":{"rendered":"\n<p>Podemos entender a neuroeduca\u00e7\u00e3o como um campo de conhecimento que emerge da intersec\u00e7\u00e3o entre psicologia, educa\u00e7\u00e3o e neuroci\u00eancia. Com os crescentes avan\u00e7os neurocient\u00edficos relacionados \u00e0 \u00e1rea cognitiva, pudemos entender muitos dos processos que o c\u00e9rebro desempenha cotidianamente, em especial o de aprendizagem em v\u00e1rios graus de complexidade. Paralelamente a isso, o campo da pedagogia, h\u00e1 d\u00e9cadas, questiona sobre a natureza desse processo e sobre como torn\u00e1-lo mais efetivo, pr\u00e1tico e humano. O que segue do di\u00e1logo entre a neuroci\u00eancia e a pedagogia \u00e9 uma s\u00e9rie de estudos sobre como o entendimento da primeira pode impactar a segunda positivamente em salas de aula. Para promover esse di\u00e1logo o primeiro passo \u00e9 entender, a partir da neuroci\u00eancia, como aprendemos. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio compreender o conceito de neuroplasticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Neuroplasticidade \u00e9 a capacidade que nossos neur\u00f4nios possuem de criar ou desfazer conex\u00f5es entre si, a partir de est\u00edmulos externos e internos. Isto \u00e9, a capacidade de, a partir das nossas experi\u00eancias cotidianas, se adaptar a novas fun\u00e7\u00f5es. Entrar em contato com novas informa\u00e7\u00f5es cria novas conex\u00f5es no nosso c\u00e9rebro. Essas conex\u00f5es, por sua vez, nos permitem receber novas informa\u00e7\u00f5es e, assim, nos adaptarmos de maneira constante e dial\u00e9tica ao mundo em nossa volta.&nbsp; Nos referimos a esse processo, no \u00e2mbito da neuroci\u00eancia, como aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo deste conceito, segundo o que a Profa. Raquel Lima Silva Costa discorre em seu artigo <em>Neuroci\u00eancia e Aprendizagem,<\/em> podemos dizer que o que ocorre nas escolas \u00e9 um processo de neuroplasticidade guiada, uma vez que, no ambiente escolar, este processo tem uma ordem a ser seguida. O professor assume o papel de incentivar e direcionar a aprendizagem para garantir a consolida\u00e7\u00e3o do conhecimento em quest\u00e3o. Esse processo envolve, entre outras coisas, aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante ressaltar que a ideia de que possamos fazer tarefas simult\u00e2neas com m\u00e1ximo proveito \u00e9 falsa, pois nosso c\u00e9rebro necessita migrar a aten\u00e7\u00e3o entre as atividades, prejudicando a realiza\u00e7\u00e3o das mesmas. Precisamos ent\u00e3o diminuir as fontes de distra\u00e7\u00e3o em sala de aula, al\u00e9m de prover est\u00edmulos a sentidos variados relacionados com o foco pretendido, visando assim reter a aten\u00e7\u00e3o do aluno por mais tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez conseguida a aten\u00e7\u00e3o, precisamos nos ater em como os conte\u00fados se fixam na mem\u00f3ria. \u00c9 necess\u00e1rio que o aluno consiga retomar estes conte\u00fados periodicamente e refletir sobre o que foi aprendido, de modo que novas associa\u00e7\u00f5es sejam feitas ao conte\u00fado e as conex\u00f5es neurais sejam fortalecidas. Atividades com propostas distintas sobre o mesmo tema ajudam nesse processo de consolida\u00e7\u00e3o da aprendizagem, permitindo que circuitos neurais j\u00e1 estabelecidos fa\u00e7am novas conex\u00f5es entre si, aumentando a complexidade dessas liga\u00e7\u00f5es. Esse aumento qualitativo na complexidade das liga\u00e7\u00f5es \u00e9 o que nos permite reter e aprender novas informa\u00e7\u00f5es a partir de conceitos j\u00e1 conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o, por sua vez, \u00e9 o que faz com que o indiv\u00edduo disponha suas energias para realizar atividades. Isso inclui, \u00e9 claro, a aprendizagem. Um aluno motivado tende a ser mais atencioso em sala de aula, al\u00e9m de poder ter mais facilidade para reter os conte\u00fados aprendidos. No entanto, a motiva\u00e7\u00e3o depende do contexto em que o aluno est\u00e1 inserido, podendo at\u00e9 variar drasticamente ao longo de um mesmo dia, fazendo com que a raz\u00e3o e a intensidade com a qual cada um busca novos conhecimentos seja diferente. Usar aplica\u00e7\u00f5es do conte\u00fado vistas no cotidiano do aluno \u00e9 uma forma de estimul\u00e1-lo a querer aprender sobre o que lhe \u00e9 apresentado. Al\u00e9m disso, atividades que permitam que o aluno reflita sobre o pr\u00f3prio aprendizado fazem com que ele enxergue as lacunas em seu conhecimento e reforce, por conta pr\u00f3pria, sua aprendizagem, alimentando sua motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com tudo isso em mente, \u00e9 triste que ainda vejamos programas educacionais nos quais toda esta capacidade humana \u00e9 ignorada. Quando focamos a educa\u00e7\u00e3o em um extenso curr\u00edculo, sem a presen\u00e7a de atividades reflexivas, em que os alunos participem criticamente e ativamente, criamos apenas mem\u00f3rias de curto prazo. Isso explica, por exemplo, o h\u00e1bito comum de alunos estudarem \u00e0s v\u00e9speras de provas, a fim de memorizarem a informa\u00e7\u00e3o para aquele breve intervalo de tempo. Essa pr\u00e1tica \u00e9 contraproducente do ponto de vista neurol\u00f3gico, pois n\u00e3o fortalece as rela\u00e7\u00f5es entre conceitos j\u00e1 estabelecidos na rede cerebral, apenas cria circuitos isolados que pouco tempo depois j\u00e1 se desfazem.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendendo a neuroplasticidade, devemos lembrar tamb\u00e9m que os professores est\u00e3o sujeitos a mudan\u00e7as nas liga\u00e7\u00f5es cerebrais e que todos os fen\u00f4menos descritos na aprendizagem do estudante tamb\u00e9m valem para a aprendizagem do professor. Com isso, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es de idade e contexto cultural, o professor deve se engajar no aprendizado tanto quanto o aluno.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, assim como o professor n\u00e3o deve prender-se apenas \u00e0quilo que j\u00e1 sabe, os alunos tamb\u00e9m devem ser apresentados a novos conte\u00fados. Entretanto, \u00e9 importante que antes aprofundem os conceitos aprendidos anteriormente, criando assim conex\u00f5es neurais duradouras que beneficiem a nova aprendizagem. Nesse contexto, o professor deve assumir o papel tanto de mediador quanto de sujeito da aprendizagem, utilizando de abordagens que estimulem e reforcem a participa\u00e7\u00e3o do aluno, aumentando o interesse e a satisfa\u00e7\u00e3o no ensino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, um potencial da neuroeduca\u00e7\u00e3o em influenciar positivamente o processo de ensino-aprendizagem. Para isso, ela precisa fazer-se, n\u00e3o s\u00f3 conhecida, como compreendida e aplicada pelos docentes e profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Isso carece de reformula\u00e7\u00f5es nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o que formam estes profissionais, e de aten\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o continuada daqueles que j\u00e1 atuam na \u00e1rea, seja&nbsp; em meios formais ou informais de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assinado por: Wallace Moratto, Jos\u00e9 Roberto e Lucas Ascacibas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Podemos entender a neuroeduca\u00e7\u00e3o como um campo de conhecimento que emerge da intersec\u00e7\u00e3o entre psicologia, educa\u00e7\u00e3o e neuroci\u00eancia. Com os crescentes avan\u00e7os neurocient\u00edficos relacionados \u00e0 \u00e1rea cognitiva, pudemos entender muitos dos processos que o c\u00e9rebro desempenha cotidianamente, em especial o de aprendizagem em v\u00e1rios graus de complexidade. 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