{"id":416,"date":"2019-09-30T12:39:20","date_gmt":"2019-09-30T15:39:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=416"},"modified":"2020-10-21T21:06:56","modified_gmt":"2020-10-22T00:06:56","slug":"a-violencia-escolar-como-um-reflexo-da-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.petlif.ufscar.br\/?p=416","title":{"rendered":"A viol\u00eancia escolar como um reflexo da sociedade"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 13 de mar\u00e7o de 2019, o Brasil foi surpreendido por um ataque de dois jovens armados dentro de uma escola no munic\u00edpio de Suzano, resultando em 11 feridos e 10 mortos, incluindo os pr\u00f3prios atiradores. Investiga\u00e7\u00f5es apontaram que a dupla de atiradores planejou o massacre h\u00e1 mais de um ano e recebia apoio nos chans, sites em que o usu\u00e1rio \u00e9 an\u00f4nimo e de dif\u00edcil rastreio.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s o massacre, muitos jornalistas, especialistas e curiosos come\u00e7aram a procurar o \u201cgatilho\u201d que teria levado os atiradores a cometer o crime. Muitos foram os culpados, como videogames, bullying e problemas patol\u00f3gicos que em parte, s\u00e3o explicados pelo fen\u00f4meno \u201cfolie \u00e0 deux\u201d, termo em franc\u00eas para se referir a um transtorno psic\u00f3tico compartilhado a dois. Por\u00e9m, poucos abordaram qual a influ\u00eancia da nossa sociedade: Maria de Lourdes Teixeira, psic\u00f3loga da PUC e especialista na \u00e1rea da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia, afirma que \u201cA gente tem que partir da seguinte ideia: ningu\u00e9m nasce bandido. Precisamos pensar o que na hist\u00f3ria de vida desses jovens e o que no funcionamento da sociedade levam a esse ato\u201d\u00b9.<\/p>\n\n\n\n<p>Luciana Szymanski, professora do departamento de psicologia social da PUC\u00b9, diz que \u00e9 muito reducionista culpabilizar o bullying como o respons\u00e1vel pelo ataque. Se analisarmos outros ataques que ocorrem pelo mundo em escolas, veremos que a maioria dos massacres s\u00e3o realizados por alunos homens e brancos, socialmente privilegiados pela nossa estrutura de sociedade*. No entanto, tais indiv\u00edduos s\u00e3o constantemente afetados pela cultura de masculinidade t\u00f3xica e de banaliza\u00e7\u00e3o da vida, refor\u00e7adas constantemente pela m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p>A fot\u00f3grafa \u00cdtalo-brit\u00e2nica Jessica Amity criadora do projeto \u201cTo be A Man\u201d\u00b2, que visa desconstruir padr\u00f5es t\u00f3xicos de masculinidade, escreve em seu site \u201c[\u2026] o fracasso em abra\u00e7ar essas qualidades \u2018viris\u2019 muitas vezes traz consequ\u00eancias severas, n\u00e3o apenas para os homens, mas para os que os rodeiam. Por exemplo, pode ter um impacto negativo na sua pr\u00f3pria sa\u00fade mental, possivelmente levando \u00e0 depress\u00e3o, abuso de subst\u00e2ncias e suic\u00eddio, bem como agressividade, objetifica\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia para com as mulheres e outros homens, sentimentos homof\u00f3bicos e transf\u00f3bicos e assim por diante.\u201d\u00b3 (Amity, tradu\u00e7\u00e3o Hypeness). Tal masculinidade t\u00f3xica, que co\u00edbe qualquer express\u00e3o de fragilidade e impot\u00eancia, combina-se perigosamente com uma cultura armamentista crescente no Brasil nos \u00faltimos anos. Como consequ\u00eancia, h\u00e1 uma resposta violenta contra qualquer institui\u00e7\u00e3o que tente desconstruir tal padr\u00e3o de masculinidade ou que coloque tais indiv\u00edduos em contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A escola, ao simbolizar um espa\u00e7o de aprendizagem e debate, torna- se alvo de manifesta\u00e7\u00f5es violentas desse tipo, em que toler\u00e2ncia e compreens\u00e3o tornam-se totalmente suprimidas. No entanto, os discursos p\u00f3s-ataque convergem para a militariza\u00e7\u00e3o das escolas e at\u00e9 o armamento de professores, o que n\u00e3o solucionaria os problemas que levaram a tal crime e refor\u00e7aria a cultura de viol\u00eancia. Segundo a soci\u00f3loga Miriam Abramovay &#8220;a escola teria que ser diferente, mais receptiva, mais agregadora e mais conectada com a cultura juvenil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura de viol\u00eancia que se materializou em Suzano vai muito al\u00e9m dos muros da escola: ela se perpetua atrav\u00e9s da pol\u00edtica, da m\u00eddia e das redes sociais. Por\u00e9m, n\u00e3o se pode negar e deixar de se investir na escola como uma institui\u00e7\u00e3o social capaz de integrar os jovens e a comunidade a fim de se propagar toler\u00e2ncia e uma cultura de paz. Dessa forma, as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para acabar com tal cultura de viol\u00eancia podem ter dois sentidos: tanto de dentro da escola para fora, quanto da pr\u00f3pria sociedade para dentro do espa\u00e7o escolar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ass: G\u00e9ssio Mori e Augusto Nascimento<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: [1] MONTESANTI, Beatriz ; CARVALHO, Priscila. An\u00e1lise: Nunca h\u00e1<br> apenas uma explica\u00e7\u00e3o para massacres como o de Suzano. S\u00e3o Paulo,<br> 15 mar. 2019. Dispon\u00edvel em:<br> https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-<br> noticias\/2019\/03\/15\/bullying-odio-e-loucura-a-dois-os-motivos-que-<br> levam-ao-massacre-de-suzano.htm. Acesso em: 11 abr. 2019<\/p>\n\n\n\n<p>[2] https:\/\/www.jessicaamity.com\/blog\/2019\/1\/23\/to-be-a-man-a-<br> portrait-series-challenging-the-concept-of-toxic-masculinity. Acesso em:<br> 24 abr. 2019<br> [3] https:\/\/www.hypeness.com.br\/2019\/02\/ela-criou-uma-serie-de-<br> retratos-para-desafiar-o-conceito-de-masculinidade-toxica\/. Acesso em:<br> 24 abr. 2019<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de mar\u00e7o de 2019, o Brasil foi surpreendido por um ataque de dois jovens armados dentro de uma escola no munic\u00edpio de Suzano, resultando em 11 feridos e 10 mortos, incluindo os pr\u00f3prios atiradores. 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